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COMÉRCIO INTERNACIONAL

Acordo UE-Mercosul: análise sobre os produtos agrícolas que ganham força imediata no comércio internacional

EAG Agro
08 Mai 2026
16 min de leitura
Acordo UE-Mercosul: análise sobre os produtos agrícolas que ganham força imediata no comércio internacional

O início da aplicação provisória do Acordo UE-Mercosul marca um dos movimentos comerciais mais relevantes das últimas décadas para o agronegócio brasileiro.

Depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo passa a criar uma nova dinâmica entre dois blocos econômicos estratégicos: de um lado, o Mercosul, com forte capacidade produtiva agrícola; do outro, a União Europeia, um dos mercados consumidores mais exigentes e regulados do mundo.

Para Guilherme Zamith, CEO da EAG Agro, esse movimento não deve ser analisado apenas como uma redução de tarifas. Deve ser visto como uma reorganização das rotas comerciais, da leitura de risco, da demanda internacional e da forma como compradores globais passam a olhar para o Brasil.

Segundo a Comissão Europeia, o acordo cria uma zona comercial de aproximadamente 700 milhões de pessoas, reduz barreiras comerciais e estabelece salvaguardas para proteger regras europeias, consumidores e produtores locais. A própria Comissão afirma que o acordo melhora as condições de comércio, mas impõe limites e cotas para produtos agrícolas sensíveis. European Commission

A leitura de Guilherme Zamith: o acordo não muda apenas tarifa, muda posicionamento

Na avaliação de Guilherme Zamith, o ponto central do Acordo UE-Mercosul não está apenas na lista de produtos beneficiados. O maior impacto está no reposicionamento do Brasil como fornecedor estratégico para mercados de alto padrão.

"Quando um acordo desse porte avança, o comprador internacional passa a olhar para o Brasil com outro nível de atenção. Não é apenas uma oportunidade de preço. É uma oportunidade de acesso, previsibilidade e estrutura comercial", analisa Guilherme.

Esse é um ponto importante para compradores internacionais de soja, milho e açúcar. Em commodities agrícolas, a decisão de compra não depende apenas do produto disponível. Ela envolve segurança de fornecimento, rastreabilidade, documentação, Incoterms, capacidade logística, preço competitivo e parceiros confiáveis.

O acordo amplia o interesse pelo Mercosul, mas também aumenta a necessidade de profissionalização. Quem compra precisa filtrar melhor. Quem vende precisa se posicionar melhor.

Quais produtos agrícolas terão benefício imediato?

Entre os produtos agrícolas, as frutas aparecem como um dos segmentos com ganho mais rápido. Segundo entrevista da diretora de Relações Internacionais da CNA à CNN Brasil, frutas devem sair na frente com isenção imediata de tarifas que hoje variam entre 12% e 13%. A mesma análise indica que carnes e etanol terão acesso gradual por cotas, ainda com pontos a serem alinhados entre os países dos blocos. CNN Brasil

Entre os produtos citados em análises de mercado e materiais sobre o acordo, aparecem:

  • Frutas, com maior benefício imediato em determinados itens;
  • Açúcar, com cota específica e tarifa intracota zero;
  • Etanol, com acesso por cotas;
  • Arroz, com cota tarifária;
  • Mel, com cota tarifária;
  • Milho e sorgo, com cota tarifária;
  • Carnes bovina, suína e de aves, também sob sistema de cotas.

Levantamentos publicados pelo Agro Estadão indicam, por exemplo, cota de 180 mil toneladas para açúcar, com tarifa intracota zero na entrada em vigor; 1 milhão de toneladas para milho e sorgo, também com tarifa intracota zero e volume crescente; além de 60 mil toneladas para arroz e 45 mil toneladas para mel. Agro Estadão

A Comissão Europeia também confirma cotas e mecanismos de controle para produtos sensíveis, destacando limites para carne bovina, aves, etanol, arroz e mel, além da possibilidade de aplicar salvaguardas em caso de ameaça a setores europeus. European Commission

O que isso representa para compradores internacionais?

Para compradores internacionais, o acordo cria um ambiente mais competitivo e previsível.

Na prática, isso significa que empresas europeias e grupos internacionais que compram ou distribuem commodities passam a acompanhar ainda mais de perto a oferta brasileira. O Brasil já é relevante no mercado global, mas acordos comerciais desse porte tendem a aumentar o volume de consultas, prospecções e negociações.

No caso da soja, o impacto não deve ser visto apenas pela tarifa. A soja já é uma commodity global altamente demandada e aparece entre os principais grupos de produtos importados pela União Europeia a partir do Mercosul. A Comissão Europeia informa que oleaginosas e culturas proteicas representaram 34% das importações europeias vindas do Mercosul em 2025, somando € 8,55 bilhões. European Commission

Para o milho, a existência de cota tarifária reforça uma janela comercial importante. Mesmo quando o acesso é controlado, há sinalização de demanda e espaço para fornecedores organizados, especialmente quando há clareza de origem, documentação, padrão de qualidade e logística.

Para o açúcar, o ponto é ainda mais estratégico. O açúcar é tratado como produto sensível pela União Europeia, o que significa que existe oportunidade, mas também controle. A leitura correta não é "vender qualquer volume a qualquer preço". A leitura correta é: quem estiver documentado, estruturado e alinhado às exigências do comprador terá vantagem.

A oportunidade real está na combinação entre acesso e profissionalização

Na análise de Guilherme Zamith, o acordo não deve gerar euforia desorganizada.

O mercado internacional não compra apenas porque a tarifa caiu. Ele compra quando encontra:

  • Produto compatível;
  • Fornecedor confiável;
  • Documentação correta;
  • Condição comercial viável;
  • Preço dentro da realidade;
  • Operação logística bem definida;
  • Segurança jurídica;
  • Capacidade de entrega.

Esse é o ponto em que a EAG Agro busca se posicionar: não apenas como uma empresa que aproxima comprador e fornecedor, mas como uma estrutura comercial capaz de qualificar demandas, organizar informações e conduzir negociações de forma mais profissional.

No mercado físico de commodities, a diferença entre uma oportunidade real e uma conversa sem futuro está nos detalhes.

Por que o Acordo UE-Mercosul aumenta a autoridade do Brasil no agro?

O acordo reforça algo que o mercado já sabe: o Brasil é um fornecedor indispensável de alimentos, energia e matérias-primas agrícolas.

A União Europeia tem alto padrão de exigência sanitária, ambiental e regulatória. Ao mesmo tempo, precisa garantir abastecimento, diversificação de fornecedores e segurança alimentar.

Esse equilíbrio favorece empresas brasileiras que atuam com seriedade.

A Comissão Europeia deixa claro que os alimentos importados precisam cumprir as regras europeias de segurança alimentar e que haverá reforço de inspeções e auditorias em países exportadores e nas fronteiras europeias. European Commission

Isso significa que o comprador internacional buscará mais do que preço. Ele buscará parceiros com capacidade de operar dentro de um padrão técnico, documental e comercial mais rigoroso.

Para Guilherme Zamith, essa é a nova fronteira do agro brasileiro: sair da comunicação informal e entrar em uma lógica de operação profissional.

O comprador internacional vai procurar quem transmite segurança

Muitos compradores internacionais chegam ao Brasil em busca de soja, milho e açúcar, mas encontram dificuldade para separar oferta real de oferta especulativa.

O acordo pode aumentar ainda mais esse fluxo de procura. Porém, também aumentará o nível de exigência.

Compradores europeus e internacionais tendem a observar:

  • Procedência do produto;
  • Histórico do fornecedor;
  • Capacidade de embarque;
  • Padrão documental;
  • Condição de pagamento;
  • Incoterm;
  • Risco de não entrega;
  • Risco de intermediação informal;
  • Compliance e rastreabilidade.

Esse cenário favorece empresas que conseguem falar a linguagem do mercado internacional.

A EAG Agro entende que a venda de commodities agrícolas não pode ser tratada como simples repasse de preço. É necessário interpretar demanda, entender o comprador, avaliar viabilidade, alinhar documentação e estruturar a negociação.

Soja, milho e açúcar: três produtos que devem continuar no radar global

Mesmo com diferenças de tratamento tarifário, soja, milho e açúcar seguem como produtos centrais na leitura estratégica do comércio internacional.

A soja permanece relevante pela demanda global por proteína vegetal, farelo, óleo e alimentação animal. O milho tem papel importante em ração, indústria e segurança alimentar. O açúcar, por sua vez, conecta alimento, indústria, energia e contratos internacionais.

Na análise de Guilherme Zamith, esses três produtos exigem leitura de mercado constante.

Preço de commodity não se forma apenas pela vontade do vendedor. Ele é impactado por bolsa, câmbio, frete, prêmio, safra, clima, disponibilidade, logística, política comercial e risco geopolítico.

O Acordo UE-Mercosul adiciona mais uma variável importante a essa equação: o acesso preferencial a um mercado altamente regulado.

O que compradores internacionais devem fazer agora?

Para compradores internacionais interessados em soja, milho e açúcar do Brasil, o momento exige preparação.

O primeiro passo é organizar a demanda de forma clara:

  • Produto desejado;
  • Especificação técnica;
  • Volume;
  • Destino;
  • Incoterm;
  • Forma de pagamento;
  • Prazo de entrega;
  • Documentação da empresa compradora;
  • Capacidade financeira;
  • Histórico de compra, quando houver.

Quanto mais objetiva for a demanda, maior a chance de ser conectada a uma oportunidade real.

O segundo passo é evitar negociações informais ou baseadas apenas em preço. Em um ambiente com maior interesse internacional, também cresce o risco de ofertas sem lastro, documentos frágeis e promessas inviáveis.

O terceiro passo é trabalhar com parceiros que conheçam o mercado físico brasileiro e saibam filtrar oportunidades.

A visão da EAG Agro sobre o novo momento do comércio internacional

Para a EAG Agro, o Acordo UE-Mercosul representa uma abertura estratégica, mas também uma prova de maturidade para o setor.

O Brasil tem produto. Tem escala. Tem capacidade de exportação. Mas o mercado internacional exige mais do que disponibilidade.

Exige método.

Exige documentação.

Exige leitura comercial.

Exige segurança jurídica.

Exige relacionamento com fornecedores e compradores qualificados.

A análise de Guilherme Zamith é que os próximos anos devem beneficiar empresas que conseguirem unir três fatores: acesso ao produto, inteligência comercial e estrutura profissional de negociação.

Esse é exatamente o espaço onde a EAG Agro busca atuar.

Conclusão: o acordo abre portas, mas quem entra é quem está preparado

O Acordo UE-Mercosul representa uma mudança relevante para o agronegócio brasileiro e para compradores internacionais que buscam fornecedores confiáveis no Brasil.

Frutas devem ter benefício imediato em determinados casos. Produtos como açúcar, milho, etanol, arroz, mel e carnes avançam por meio de cotas, regras específicas e cronogramas próprios. O ponto principal, porém, é que o acordo aumenta a atenção global sobre o Mercosul e fortalece o Brasil como origem estratégica de commodities agrícolas.

Para Guilherme Zamith, CEO da EAG Agro, este é um momento de oportunidade, mas não de improviso.

O comprador internacional que deseja soja, milho ou açúcar do Brasil precisa de mais do que uma cotação. Precisa de análise, critério, documentação e parceiros com capacidade de estruturar uma negociação segura.

O acordo abre novas portas.

Mas, no comércio internacional de commodities, quem atravessa essas portas são as empresas preparadas.

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