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ANÁLISE DE MERCADO

Demanda em alta e novos mercados impulsionam o etanol no Brasil

EAG Agro
08 Mai 2026
6 min de leitura
Demanda em alta e novos mercados impulsionam o etanol no Brasil

O mercado brasileiro de etanol vive uma nova fase de expansão.

Com crescimento da demanda interna, avanço do etanol de milho e abertura de novas oportunidades no mercado internacional, o biocombustível ganha cada vez mais relevância na matriz energética brasileira e global.

A produção nacional já alcança cerca de 41 bilhões de litros, sendo que o etanol de milho responde por aproximadamente 12 bilhões de litros desse volume. Esse avanço mostra uma mudança importante no setor: o etanol deixou de depender apenas da cana-de-açúcar e passou a ter no milho uma nova base estratégica de crescimento.

Etanol cresce com apoio do mercado interno

O consumo de combustíveis do ciclo Otto segue em expansão no Brasil. Em 2025, a demanda cresceu o equivalente a 1,9 bilhão de litros de gasolina, e a expectativa para 2026 é de novo avanço, com potencial de adicionar cerca de 2,3 bilhões de litros em etanol hidratado.

No horizonte dos próximos dez anos, o crescimento anual pode variar entre 2,5 e 3 bilhões de litros de etanol hidratado, sinalizando um mercado robusto e com espaço para novos investimentos.

Esse cenário reforça a importância do etanol como alternativa energética competitiva, especialmente em um país que já possui frota flex, produção consolidada e forte capacidade agrícola.

Brasil já substitui quase metade da gasolina por etanol

Em 2025, o Brasil substituiu 45,6% da gasolina por etanol na matriz de combustíveis leves.

Alguns estados se destacam nesse movimento:

  • Mato Grosso: 67,2%;
  • São Paulo: 58,9%;
  • Goiás: 57,7%.

Esses números mostram que o etanol já é uma realidade consolidada em importantes regiões produtoras e consumidoras.

Por outro lado, estados como Bahia e Maranhão ainda possuem participação menor, próxima de 30%, o que indica espaço para crescimento, especialmente com a instalação de novas unidades produtoras e melhorias na distribuição.

Etanol de milho muda o perfil da produção brasileira

Um dos principais motores desse crescimento é o etanol de milho.

Enquanto a produção de açúcar permanece praticamente estável, em torno de 43 milhões de toneladas, a produção de etanol avançou de forma expressiva nos últimos anos.

O volume saiu de aproximadamente 31,3 bilhões de litros na safra 2022/23 para uma projeção de 41,6 bilhões de litros em 2026/27, crescimento de cerca de 33% em cinco anos.

O etanol de milho tem papel central nessa expansão. Ele já representa mais de 12 bilhões de litros e vem compensando a estabilidade da produção a partir da cana-de-açúcar.

Na prática, o milho passa a ocupar uma posição ainda mais estratégica no agronegócio brasileiro. Ele deixa de ser apenas uma commodity voltada à alimentação animal e à exportação e passa a ser também uma matéria-prima relevante para energia.

Mistura obrigatória pode ampliar ainda mais a demanda

Outro fator que pode impulsionar o setor é o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina.

A elevação de 27% para 30% já representa um avanço importante. Caso a mistura chegue a 32%, a demanda adicional pode ser de cerca de 954 milhões de litros ainda este ano.

Em um cenário de mistura a 35%, esse volume adicional poderia ultrapassar 2,3 bilhões de litros.

Esse movimento cria oportunidades para produtores, usinas, distribuidores, fornecedores de milho, operadores logísticos e empresas que atuam na intermediação de commodities agrícolas.

Novos mercados podem transformar o etanol brasileiro

Além do mercado interno, novas frentes internacionais começam a ganhar força.

O uso do etanol em outros países, a ampliação das misturas na gasolina em escala global e o avanço de combustíveis alternativos para o setor marítimo abrem novas possibilidades para o biocombustível brasileiro.

O mercado marítimo, em especial, surge como uma nova fronteira. Mesmo antes de uma regulamentação mais ampla, já existem encomendas de navios preparados para utilizar etanol como combustível.

As projeções indicam que esse segmento pode gerar uma demanda adicional de até 32 bilhões de litros até 2040.

Esse dado é extremamente relevante. Ele mostra que o etanol brasileiro pode deixar de ser visto apenas como combustível automotivo e passar a ocupar espaço também na agenda global de descarbonização do transporte marítimo.

Oportunidade para compradores nacionais e internacionais

O crescimento do etanol cria oportunidades tanto para compradores nacionais quanto internacionais.

No mercado interno, há demanda crescente por:

  • Etanol hidratado;
  • Etanol anidro;
  • Milho para produção de etanol;
  • Subprodutos da indústria de etanol de milho;
  • Logística e distribuição;
  • Contratos recorrentes de fornecimento.

No mercado internacional, o Brasil ganha força como origem estratégica para biocombustíveis e matérias-primas agrícolas ligadas à energia renovável.

Compradores internacionais que já acompanham soja, milho, açúcar e óleos vegetais passam a olhar também para o etanol como parte de uma estratégia maior de abastecimento, diversificação energética e redução de emissões.

Desafios ainda precisam ser superados

Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta desafios importantes.

Um deles é a comunicação com o consumidor. Estimativas do setor indicam que muitos proprietários de veículos flex ainda não sabem avaliar quando o etanol é vantajoso em relação à gasolina.

Outro desafio é a logística.

Levar o etanol das regiões produtoras até os grandes centros consumidores exige investimento em infraestrutura, armazenagem, transporte e distribuição.

Esse ponto é essencial. Não basta produzir mais. É preciso escoar melhor.

Com o crescimento da produção no Centro-Oeste e em novas regiões produtoras, a logística passa a ser uma das peças centrais para garantir competitividade.

RenovaBio e mercado de carbono fortalecem o setor

Políticas como o RenovaBio e iniciativas ligadas ao mercado de carbono também podem fortalecer a competitividade do etanol brasileiro.

No caso do etanol de milho, há oportunidades relacionadas ao carbono no solo, eficiência produtiva, redução de emissões e integração entre agricultura, indústria e energia.

Esse movimento posiciona o Brasil em uma agenda global cada vez mais importante: produzir energia renovável a partir de uma base agrícola competitiva.

Para compradores e investidores, isso amplia o interesse pelo setor.

Para fornecedores, cria novas possibilidades comerciais.

Para empresas que atuam na intermediação de commodities agrícolas, aumenta a necessidade de entender o mercado de forma mais técnica e estratégica.

EAG Agro acompanha esse novo ciclo do etanol

A EAG Agro acompanha esse movimento como parte da evolução do mercado físico de commodities agrícolas.

O avanço do etanol de milho, a força da cana-de-açúcar, o crescimento do biodiesel e a conexão entre alimentos, energia e carbono mostram que o agro brasileiro está entrando em uma fase mais sofisticada.

Produtos como milho, açúcar, etanol, soja e óleos vegetais passam a fazer parte de uma mesma lógica: abastecimento, energia, exportação e sustentabilidade.

Nesse cenário, compradores nacionais e internacionais precisam de informação, acesso a fornecedores, clareza comercial e estrutura para avaliar oportunidades reais.

A EAG Agro atua justamente nessa conexão, aproximando demandas qualificadas de oportunidades no mercado brasileiro de commodities agrícolas.

Conclusão

O mercado brasileiro de etanol vive um momento de forte expansão.

Com produção crescente, avanço do etanol de milho, aumento da mistura obrigatória, novas oportunidades internacionais e maior relevância na agenda de descarbonização, o biocombustível se consolida como uma das grandes apostas do agro brasileiro.

Para compradores nacionais e internacionais, o Brasil oferece escala, matéria-prima, tecnologia e capacidade produtiva.

Mas esse mercado exige mais do que interesse. Exige análise, logística, documentação, fornecedor confiável e visão estratégica.

O etanol deixou de ser apenas uma alternativa à gasolina.

Ele passou a ser uma peça central na conexão entre agronegócio, energia e mercado global.

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